O presidente do Bloco para Alternância Social de Todos os Angolanos (BASTA), Jovete Domingos, rejeitou as acusações de que o partido teria beneficiado de alegadas facilidades políticas no processo de legalização pelo Tribunal Constitucional.
A posição foi apresentada esta quinta-feira, 24, em Luanda, durante uma conferência de imprensa, na sequência de informações que circulam nas redes sociais sobre uma suposta proximidade entre o BASTA e o partido no poder, com o objectivo de dividir o eleitorado da oposição nas eleições gerais de 2027.
Jovete Domingos negou qualquer favorecimento e afirmou que o BASTA cumpriu os requisitos previstos na Lei dos Partidos Políticos, incluindo a recolha de assinaturas, a apresentação dos estatutos e do programa político.
“Não houve qualquer favorecimento. Cumprimos a lei como qualquer outra força política. Quem nos acusa devia apresentar provas”, afirmou.
O líder do BASTA considerou que as acusações procuram descredibilizar o novo projecto político e defendeu que o surgimento de novas forças é parte do funcionamento normal de uma democracia.
Jovete Domingos citou ainda o crescimento de novos movimentos e partidos da oposição em países como Moçambique e Portugal, mencionando o Podemos e o Chega, para sustentar que o aparecimento de novas forças políticas não constitui um fenómeno exclusivo de Angola.
Para as eleições gerais de 2027, o presidente do BASTA afirmou que o partido pretende concorrer em todo o território nacional e apresentou como objectivos a alternância política e a inclusão social.
“Vamos surpreender os angolanos”, garantiu Jovete Domingos, sem avançar, contudo, dados sobre a estrutura eleitoral ou o número de militantes do partido.
Jovete Domingos, de 37 anos, esteve anteriormente ligado à UNITA e integrou a estratégia eleitoral da Frente Patriótica Unida (FPU) nas eleições gerais de 2022.
Nas eleições de 2022, foi candidato a deputado à Assembleia Nacional pelo círculo provincial do Bengo, mas não conquistou um mandato efectivo, permanecendo na condição de deputado suplente.
Durante a passagem pela UNITA, esteve ligado a actividades de mobilização política no Bengo e no Cuanza-Norte. Exerceu igualmente funções de assessor da presidência da LIMA, organização feminina da UNITA, e de coordenador da Brigada de Mobilização a nível provincial do Bengo.
Posteriormente, a relação com a direcção da UNITA terá sido marcada por divergências internas. Segundo declarações anteriormente atribuídas ao próprio político, algumas decisões da estrutura provincial não correspondiam às suas expectativas quanto à participação e reconhecimento dentro do partido.
A saída da UNITA antecedeu a criação do BASTA, que passa agora a integrar oficialmente o quadro partidário angolano, numa fase de reorganização das forças políticas e preparação para as eleições gerais previstas para 2027.
A legalização do partido abre uma nova etapa na trajectória política de Jovete Domingos e coloca o BASTA perante o desafio de transformar o reconhecimento jurídico numa estrutura política com capacidade de disputar votos em todo o país.
































