Na mensagem em alusão ao Dia Mundial de Luta contra a Sida, que se assinalou, Ana Dias Lourenço defende mais esforços para se evitar a transmissão do VIH de mãe para filho. “Sejamos solidários com quem vive com o VIH, trabalhemos com seriedade, responsabilidade, ética e profissionalismo, para uma geração livre para brilhar em 2030”, disse a Primeira-Dama. Ana Dias Lourenço transmitiu uma mensagem de solidariedade às pessoas que vivem com o VIH/Sida, lembrando todos aqueles que perderam a vida devido à doença.
Apelou à sociedade no sentido de pôr fim ao estigma, discriminação e ao preconceito em relação aos soropositivos. “A Covid-19 está a mostrar que só unidos seremos capazes de mitigar os efeitos desta pandemia e de outras doenças crónicas transmissíveis ou não, com respostas globais do sistema de Saúde”, referiu a Primeira-Dama. Com base no lema que este ano marcou o Dia de Luta contra a Sida “Solidariedade Global, Responsabilidade Compartilhada”, Ana Dias Lourenço disse que a responsabilidade é de todos, individual e colectiva, para se evitar a propagação da doença.
Acesso facilitado aos retrovirais Grande parte do sucesso da resposta global contra o VIH/Sida deve-se ao aumento do acesso aos retrovirais, afirmou, ontem, em Luanda, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que discursava na conferência virtual sobre a “multisectorialidade na luta contra o VIH/Sida e outras infecções de transmissão sexual”. Na conferência que marcou o 1 de Dezembro – Dia Mundial de Luta contra a Sida -, Sílvia Lutucuta acrescentou que, desde 1988, altura em que a Assembleia-Geral das Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde instituíram o Dia da Luta Contra a Sida, grandes avanços globais foram alcançados no combate ao vírus e à doença.
Apesar destes avanços, “o estigma, a discriminação e os contextos sociais desfavoráveis continuam a ser as maiores barreiras para a prevenção, diagnóstico e o tratamento”, referiu. Para a ministra da Saúde, o Dia da Luta Contra a Sida ocorre numa altura em que a pandemia da Covid-19 se revela como “um grande desafio, com efeito sistemático sobre os alicerces da estrutura social e económica de todos os países”. Por outro lado, Sílvia Lutucuta voltou a reafirmar que o Governo angolano está empenhado e comprometido com a melhoria dos cuidados de saúde das populações, visando o desenvolvimento sustentável do país. Novos casos Em declarações à imprensa, a directora-geral do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida, Luísa Furtado, informou que, de Janeiro a Setembro do corrente ano, o país registou 30 mil novos casos de HIV/Sida.
Sobre a alegada ruptura do stock dos retrovirais, a responsável informou que o país ficou alguns meses sem poder importá-los por causa da pandemia da Covid-19, o que dificultou a gestão do processo de distribuição, mas, garante, “existem medicamentos”. Quanto à conferência virtual, a responsável disse que estes encontros visam concertar ideias sobre os problemas já identificados, tendo destacado que, a partir de agora, o foco será o do reforço das estratégias para a luta contra a Sida.
Há dez anos, os Estados assumiram o compromisso de continuarem a desenvolver esforços para acabar com a Sida como um problema de saúde pública até 2030. Dados do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida indicam que o país tem 340 mil pessoas vivendo com VIH. A fonte aponta 31 mil crianças, dos zero aos 14 anos, vivendo com o VIH, 220 mil mulheres, 23.821 grávidas e 13 mil mortes.
RESERVAS DE RETROVIRAIS Acções do Executivo satisfazem a ANASO O presidente da ANASO, António Coelho, saudou, segunda-feira, o Executivo por resolver a questão da ruptura de stock de antirretrovirais, mas solicitou melhorias no processo de distribuição destes medicamentos.
Coelho manifestou satisfação pelo facto de o Executivo ter superado, com rapidez, a questão da ruptura dos antiretrovirais, destacando o convite da ministra Sílvia Lutucuta para a ANASO integrar o grupo de trabalho para propor medidas, evitando outras rupturas de stock.
“Presentemente, as unidades de Saúde só dão o medicamento para 15 dias. Isso quer dizer que as pessoas vivendo com VIH devem ir duas vezes por mês ao hospital”, frisou. António Coelho destacou o envolvimento dos parceiros nesta fase de pandemia da Covid-19, afirmando que no princípio a ANASO lançou um apelo, que foi entendido pela ONUSIDA, através do financiamento do projecto “Corrente da vida”.
“A nossa ideia era não só distribuir cestas básicas mas também os medicamentos para que as pessoas vivendo com VIH não tenham que ir às unidades sanitárias. Em seguida tivemos apoio do PNUD, do FNUAP e da World Vision para outros projectos comunitários de apoio aos doentes e comunidades vulneráveis”, garantiu.
Face à Covid-19, António Coelho avança que a organização debate-se com constrangimentos de ordem material e financeira, frisando que para se colocar um activista no terreno, indo porta a porta ou em locais de grandes concentrações (mercados e par a g e n s de autocarros), são necessários, em média, dez mil kwanzas por pessoa/ dia. O responsável lamenta o facto de não terem, de momento, capacidade para estabelecer um sistema de recolha e análise de dados nas 18 províncias, que possam permitir ter uma ideia do número de novos pacientes. Dados disponíveis indicam que o número de mulheres vivendo com VIH é de 210 mil, de jovens, dos 15 aos 24 anos, 49 mil, e de crianças, dos zero aos 14 e 31anos. As autoridades têm sob controlo mais de 350 mil angolanos vivendo com VIH, sendo que apenas 93 mil fazem terapia antirretroviral.































