O período da manhã e da tarde de ontem (o encontro só terminou quando eram já 16 horas), foi consumido com o Chefe de Estado a demonstrar total abertura e serenidade a interagir com jovens de vários estratos sociais, que puderam intervir e colocar questões sobre os mais diversos assuntos.
O emprego, a educação, a saúde, a habitação, os transportes públicos, a realização das eleições autárquicas, entre outros, foram temas sobre os quais o Presidente foi questionado e tratou de responder, dando explicações concretas para cada assunto relevante sobre a forma como o Executivo está a enfrentar as situações. Todavia, o encontro não versou apenas sobre esses temas genéricos.
Algumas perguntas ou intervenções suscitaram do Presidente esclarecimentos pontuais, como foi o caso da desconstrução da narrativa segundo a qual as autoridades estariam a impedir o enterro do jovem Inocêncio da Mata, ou até mesmo que tenham apelidado os manifestantes de arruaceiros. Como já nos habituou o Presidente João Lourenço, a conversa discorreu amena, pontilhada de momentos de humor e, o que há em particular a sublinhar, a pautar-se pela franqueza na abordagem dos problemas que caracterizam a realidade actual do país.
Não inventou desculpas e não escondeu que passamos por momentos difíceis e que muitos deles devem-se ao surgimento da pandemia de Covid-19, que não está a fustigar apenas Angola e que obrigou o Governo a ter de parar a execução de vários projectos. Mas ali onde foi possível avançar, avançou-se, a exemplo das unidades hospitalares que foram construídas, no Bié, no Moxico, e outros investimentos.
A pandemia que assola actualmente o mundo não pode, de modo algum, ser afastada do rol de situações que caracterizam o país real que hoje temos. Como bem recordou o Chefe de Estado, em todos os países onde a enfermidade se faz sentir com particular intensidade, o índice de desemprego agravou-se. O exercício ontem realizado não foi o primeiro do género. Aquando das visitas efectuadas ao Zaire e ao Bié, João Lourenço, naquilo que é uma inovação na forma de governar, também realizou encontros com vários jovens, de quem ouviu exposições sobre as questões que devem ser resolvidas nas respectivas províncias. A importância desses encontros reside na abertura para o diálogo, que nunca foi coarctada, na transparência na abordagem e procura de soluções para os problemas, que é outra das divisas adoptadas desde o início pelo novo Executivo.
O problema não está, pois, na falta de diálogo. É importante que ele tenha lugar, mas, mais importante ainda, é que todas as sensibilidades se mobilizem na procura de soluções práticas para ultrapassar as dificuldades que o país enfrenta. Tem sido sempre mais fácil reclamar do que apresentar e ter em mãos soluções concretas para fazer face ao problema do desemprego, que agora piorou com a pandemia, da saúde, que precisa de mais hospitais e pessoal especializado, da educação, que requer mais escolas e professores bem formados, e da produção agro-pecuária, fundamental para inverter o quadro de dependência da importação de produtos alimentares para o país.
Se o diálogo ontem concretizado mostrou que quem está no topo do poder está com o espírito aberto para falar das questões essenciais que preocupam a sociedade, que, não tendo uma varinha mágica, está engajado e quer contar com todos para as resolver, é de esperar também de quem tenha participado uma resposta à altura. Quem preferiu ficar de fora do exercício de democracia que o país inteiro ontem acompanhou está no seu direito de o fazer. Mas ninguém poderá acusar o Executivo de se ter furtado ao diálogo, como foi dito, numa tentativa de procurar legitimar manifestações violentas e toda a sorte de condutas erradas assumidas durante a realização dos protestos. Os que estão apostados em manter uma postura de puro radicalismo vão continuar alinhados com os propósitos que nortearam a sua actuação.
Não é de esperar outra atitude, tendo em conta que os objectivos políticos dessas manifestações estiveram bem claros aos olhos de todos. Mas, como esclareceu o Presidente, as manifestações não estão proibidas. Elas devem obedecer ao que está estabelecido sobre a prevenção e combate à Covid-19, sendo que o distanciamento social é essencial. E mais: as eleições gerais só terão lugar em 2022 e é o eleitor quem determina o vencedor; quem deve e quem não deve governar.
































