Os problemas financeiros da imobiliária Evergrande, gigante do sector da construção civil da China, espalhou, nos últimos dias, tensões pelos mercados financeiros de todo o mundo.
Contudo, os analistas entendem que as mesmas não devem resultar em crise sistémica e atingir o sector bancário, segundo defendeu o economista Leonardo Burlamaqui, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Instituto Levy de Economia, da Faculdade Bard, nos Estados Unidos, numa entrevista publicada pelo brasileiro Estadão.
Segundo aquele académico, tal conclusão deve-se ao facto de, em parte, a crise da companhia parecer ser uma “implosão controlada” pelos reguladores chineses. Para o estudioso do desenvolvimento económico da Ásia, os problemas da incorporadora ocorrem num momento em que a China conduz mudanças estruturais na economia.
“O foco é o aumento relativo do peso do consumo, em detrimento dos investimentos e a redução das desigualdades socioeconómicas. Isso resultará em desaceleração do crescimento económico, deixando para trás os avanços em torno de 10 por cento, e exige uma arrumação no meio campo”, disse.
Para ele, tem de colocar-se a Evergrande num contexto mais amplo, uma vez que o Presidente da República da China, Xi Jinping, assumiu, em 2013, ainda sob os reflexos da crise de 2008, após 20 anos de crescimento, que se estava diante do maior fenómeno de crescimento (económico) da história, mas que gerou também uma série de distorções.
“Há uma série de desafios estruturais, do ponto de vista de mudar a economia e a sociedade. Xi Jinping traz três bandeiras. A primeira delas é uma cruzada anticorrupção. A segunda é o risco financeiro. A terceira é o aumento da desigualdade. Com esse contexto na cabeça, entendemos melhor todo o processo de “re-regulação” que os chineses estão a fazer agora, do qual a Evergrande faz parte”, explicou.
Fonte:JA

































