A União Europeia e o Reino Unido alcançaram um histórico acordo de princípio quanto a uma parceria política e económica para vigorar a partir de 2021, noticia a Bloomberg. Pormenores do acordo ainda estão a ser alinhavados, mas tudo indica que vai evitar-se o cenário caótico de não acordo.
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Um acordo de parceria política e económica está em vias de ser a prenda no sapatinho ansiada dos dois lados da Mancha para este natal, mas agora será ainda preciso dar corda aos sapatos para assegurar que um acordo final seja devidamente implementado no curto espaço de tempo disponível.
A Bloomberg avança, com base em fontes envolvidas na negociação bilateral, que a União Europeia e o Reino Unido já se entenderam quanto ao esboço de um acordo sobre a relação futura, o que consubstancia um acordo de princípio para o período pós-Brexit, com início já a 1 de janeiro. Em causa está um esboço de cerca de 2 mil páginas que irão regular o relacionamento político e comercial entre os dois blocos.
PUBA notícia daquela agência noticiosa surge pouco depois de o Guardian ter avançado que um acordo estaria na iminência de ser anunciado. É que esta manhã foi agendada uma reunião para a noite de natal entre os representantes diplomáticos dos Estados-membros junto de Bruxelas de modo a que o processo de ratificação possa ser iniciado o quanto antes.
LEIA TAMBÉMAcordo no Brexit? Prenda antecipada ou Natal estragadoPoderá assim estar perto do fim o processo de 10 meses de difícil negociação, pontuada por inúmeros altos e baixos e por incontáveis datas limite sucessivamente ultrapassadas sem que um entendimento se vislumbrasse.
Enquanto as discussões ao nível técnico continuam para superar alguns pontos ainda por acordar, com as pescas à cabeça, é aguardada, ainda esta tarde, uma conversa telefónica entre Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. A expectativa é a de que a obtenção de um acordo seja formalmente anunciada depois desse telefonema.
A União Europeia rejeitou a mais recente proposta do Reino Unido para superar o impasse em torno da questão das pescas, segundo dois responsáveis europeus, citados pela Bloomberg.
Na segunda-feira, Londres havia apresentado uma oferta que se traduziria num corte de 30% no volume das pescas da UE em águas britânicas, depois de ter insistido anteriormente numa redução de 60%. A concessão do Reino Unido não foi suficiente para os responsáveis europeus pelas negociações, que insistiram que o corte não deverá ser superior a 25%, sublinhando que mesmo esse valor era difícil de aceitar para países como França e Dinamarca.
Esta falta de entendimento representa mais um revés para o Brexit, quando faltam apenas nove dias para o final do período de transição e ainda não há sinais de entendimento entre Londres e Bruxelas sobre a futura relação comercial entre as partes.
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No que respeita às pescas, há outro ponto a separar Londres e Bruxelas além do volume que será autorizado aos Estados-membros em águas britânicas. É que os dois lados ainda não chegaram a um entendimento sobre o período de tempo que será dado aos pescadores para se ajustarem às novas regras. O Reino Unido sugere um período de transição de cinco anos – depois de ter exigido apenas três – enquanto a UE, que exigia uma transição de 10 anos, está disposta agora a aceitar apenas sete.
Além deste tema, que tem sido um dos principais obstáculos a um entendimento, o Reino Unido também se opõe à exigência da UE de que o bloco possa impor tarifas retaliatórias, especialmente sobre a energia, no caso de o Reino Unido voltar atrás em qualquer acordo que seja fechado sobre as pescas, um conceito conhecido como retaliação cruzada. O Reino Unido disse que está preparado para aceitar multas nessa área – das pescas – mas não em outras.

































